Revista Globo Ciência – Instrumento Científico

Revista Globo Ciência
Ano 5 – Dezembro 1995 – Nº 53
(Cláudio Fragata)

Afirmar que os cientistas empinam pipas em sua horas de folga talvez seja um tanto incorreto. Eles fazem isto enquanto trabalham. Em diversos momentos da história, a utilização de pipas na pesquisa científica foi fundamental para se chegar a importantes descobertas. Baseado na aerodinâmica destes brinquedos, o gênio renascentista Leonardo da Vinci (1452-1519) projetou centenas de máquinas voadoras que, infelizmente nunca saíram do papel.Mas em 1749, o astrônomo escocês Alexander Wilson obteve o primeiro resultado efetivo utilizando pipas na experimentação científica: empinou várias delas presas a uma mesma linha e em cada uma colocou um termômetro, conseguindo, assim, medir as variações da temperatura do ar em diferentes altitudes.

Poucos anos depois, em 1752, Benjamin Franklin (1706-1790) realizou sua famosa – e arriscada – demonstração, que o levou à descoberta do pára-raio. Num dia de tempestade, usando uma peça metálica presa a uma pipa, captou a eletricidade atmosférica. Por meio das pipas, o físico italiano Guglielmo Marconi (1874-1937) empreendeu em 1921 importantes experiências relativas a transmissões radiofônicas, mais tarde muito úteis para que Alexander Graham Bell (1847-1922) inventasse o telefone. Também a Nasa, a agência de pesquisas espaciais norte-americana, se beneficiou da valiosa contribuição das pipas. Com base nos estudos de George Cayley, feitos com pipas em 1809, o engenheiro aeronáutico norte-americano Francis Rogallo desenvolveu o Flexible Kite, uma espécie de pára-quedas usado no retorno das naves Apolo à Terra.

Submit a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

SPAM * Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.