Revista Globo Ciência – Descarga Elétrica

Revista Globo Ciência
Ano 5 – Dezembro 1995 – Nº 53
(Cláudio Fragata)

Para mantê-la em equilíbrio no ar, Aníbal aponta a relação de quatro variáveis: empuxo, tração, peso e força do vento.

“A densidade da pipa é superior à do ar”, esclarece. “O empuxo, porém, diminui o seu peso. O equilíbrio obtido por ela no ar também é definido pelo seu centro de massa, que, quanto mais baixo, mais estável será.” Neste ponto é que as rabiolas ou caudas, entram em ação, sejam elas de papel ou pano, funcionando como estabilizadores de vôo. “Quanto maiores as rabiolas, mais estável o equilíbrio da pipa, pois são elas que dão a condição de distribuição de massa”, conclui o físico. Aí está, então, a explicação para as cabriolas ou rabiadas que as pipas costumam dar nas alturas: uma súbita corrente de vento pode ter alterado o seu centro de massa. Mas este é apenas um dos percalços que pode acontecer a uma pipa no ar.

Silvio Voce salienta que, entre outros acidentes de percurso, o que mais atrapalha a vida de um eolista é a chuva: “Mesmo com equipamento especial, a performance fica prejudicada. O peso da pipa aumenta e os ventos tornam-se irregulares, podendo derrubá-la. Sem contar o risco de uma descarga elétrica, pois aí o que se tem nas mão não é mais uma pipa, mas um pára-raio.”

Acrobáticas ou não, comandadas por várias linhas ou apenas uma, feitas com materiais sofisticados ou com papel de seda, as pipas continuarão fascinando gerações, sem levar em conta as fronteiras da idade ou territórios. E Silvio talvez tenha a melhor explicação para o fenômeno: “O homem até hoje não se redimiu do seu frustrado desejo de voar”, filosofa. “Então voa com os pés no chão e uma pipa no céu.”

Submit a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

SPAM * Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.